"Humildade, não te faz melhor que ninguém, mas faz-te diferente de muita gente"

sexta-feira, 8 de maio de 2015

A escolha do pesqueiro

 

Vista de cima, uma praia não é totalmente rectilínea, possui verdadeiros pontões de areia que entram pelo mar, contrastando com reentrâncias mais ou menos fundas, designadas por "curveiros". A observação destes locais é indispensável à nossa decisão. Antes de montarmos o nosso equipamento de pesca e o pormos a pescar, devemos observar a praia à nossa volta durante algum tempo. Se o mar tiver uma ondulação forte, mais ou menos 2 metros e a corrente for significativa (detectamos a corrente pela velocidade da deslocação da espuma provocada pelas ondas e pelo ângulo formado entre a praia e a ondulação), devemos procurar um "curveiro" (canal) com boa comunicação com águas mais profundas e onde a corrente seja na direcção perpendicular à linha de costa, normalmente o centro do pesqueiro. Se a ondulação for fraca devemos ter muita atenção à direcção da corrente, mais difícil de detectar mas mais importante na nossa decisão. A pesca deve então realizar-se, não no centro do "curveiro" mas nas suas vertentes interiores. Devemos sempre procurar um pesqueiro onde haja alguma agitação de águas e onde se acumulem os detritos transportados pela corrente.
Quando o mar é muito calmo e a ondulação muito fraca, a pesca torna-se muito difícil e a procura de um bom local de pesca mais exaustiva. O peixe aproxima-se da praia só perto da praia-mar e são necessários lançamentos muito longos (normalmente obtêm-se melhores resultados na pesca nocturna). Nestas condições em que a rebentação é quase nula, existe um outro sistema bastante eficaz: consiste em efectuar um lançamento muito longo, só com uma chumbada. Depois recupera-se lentamente, e é o comportamento da chumbada que nos vai dizer onde pescar! Se a chumbada se desloca em pequenos saltos, estamos na presença de um fundo sem peixe. O sinal dos depósitos de detritos é nos dado quando a chumbada tende a sofrer uma prisão, sente-se uma maior resistência; é quase uma sensação de fundo macio. É este o local que nos interessa. Normalmente são necessários vários lançamentos, uns mais longos e outros mais curtos para realizarmos esta sondagem do local de pesca.
Outro pesqueiro a considerar são as línguas de areia paralelas à linha de costa. Normalmente estas "coroas" de areia provocam a rebentação da ondulação. Por detrás da rebentação poderemos, com êxito quase certo, procurar as nossas presas, ainda um tipo de pesqueiros muito interessantes, são aqueles onde afloram formações rochosas cobertas de bancos de mexilhões. Os robalos "adoram" estes locais, o importante é sabermos se as rochas não estiveram cobertas de areia até há pouco tempo e por isso sem "vida" a recobri-las. A instabilidade das areias na praia tornam a busca de locais de pesca uma constante que o pescador atento não despreza. Basta mudar a direcção do vento e todas as condições se alteram.
Falta ainda falarmos da maré. De facto à medida que a maré vai subindo ou descendo as condições alteram-se e com elas o local de pesca. Quando o mar é muito agitado devemos procurar pescar na baixa-mar e nos canais fundos onde se encontram as correntes. Quando o mar é calmo a pesca deve realizar-se mais perto da praia-mar e quase sempre no surribo da coroa de areia.

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